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Educadores debatem Enem e a escola do Século XXI

“Como (re)construir a escola do século XXI”. Este foi o tema central que orientou as discussões de um grupo de 150 mantenedores, educadores e gestores escolares reunidos no dia 4 de junho, em São Paulo, durante jornada promovida pela Revista Educação, Editora Segmento, Corus Consultores, Perello Sociedade de Advogados e sistema Uno Internacional.

“Foi um encontro muito intenso, com muita informação e debates de alto nível, que mobilizaram a atenção do público presente”, resume Eugênio Cordaro, diretor da Corus Consultores.

No período da manhã, Fernando Barão, consultor da Corus, fez uma apresentação sobre a evolução da carga tributária para as escolas e sobre o direito das associações sem fins lucrativos à imunidade sobre a cota patronal do INSS. O assunto suscitou um debate, em que foi frisada a falta de qualquer política pública de incentivo à educação e a necessidade de o setor se organizar para encaminhar de forma assertiva seus pleitos. (Na foto à esquerda: Fernando Barão durante palestra)

Ainda pela manhã, a empresa Multifocus Inteligência de Mercado apresentou uma ampla pesquisa envolvendo crianças e jovens, matriculados em escolas públicas e privadas de 12 capitais brasileiras.

“A pesquisa mostrou fatos fundamentais para repensarmos a escola no século XXI”, acredita Cordaro. “Um deles aponta que apenas 30% dos jovens do Ensino Médio gostam de estudar”. Esse é um fato que precisa ser levado em conta para “pensarmos em um Ensino Médio muito mais atraente e atrativo para os adolescentes”, sustenta o consultor.

No período da tarde, dois temas mobilizaram as atenções: as cotas nas universidades públicas e o Enem. O professor Fernando Botelho, da Faculdade de Economia da USP, mostrou alguns possíveis efeitos da aplicação das cotas para ingresso nas universidades públicas – a começar do mais elementar: o sistema de cotas não é neutro e vai certamente prejudicar os estudantes de escolas particulares. (Na foto à direita: Fernando Botelho, da Universidade de São Paulo)

“O fato é que os alunos das escolas particulares vão perder metade das vagas nas universidades públicas, especialmente as federais”, lembrou no encontro a consultora Marina Cordaro, diretora da Corus Consultores, citando o receio de muitos gestores privados de que uma parcela da clientela pode sentir-se atraída para a escola pública, como mecanismo de acesso mais fácil ao ensino superior. Esse aluno pode estudar na escola pública e fazer cursinho preparatório em outro período, lembrou um participante do encontro.


Enem: limites e potenciais


“Utilizar o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) como principal parâmetro garante a realização dos nossos alunos?”. Este foi o tema do último painel do Fórum. Para debatê-lo, os organizadores convidaram Priscila Cruz, diretora executiva da organização “Todos pela Educação”, além de Pablo Doberti, diretor do sistema Uno Internacional, e o educador José Pacheco, português que se notabilizou pela criação da Escola da Ponte. Eugênio Cordaro, da Corus Consultores, foi o mediador do debate. (Na foto à esquera: Eugênio Cordaro e Marina Cordaro, da Corus Consultores)

Priscila Cruz lembrou na sua apresentação que o Enem é a principal referência curricular para as escolas, já que os PCNs (Parâmetros Curriculares Nacionais) são muito “genéricos”.  Se é importante para a escola, o Enem é ainda mais importante para os alunos. “O Enem é muito relevante para os jovens brasileiros”, disse a advogada, lembrando que mais de sete milhões de jovens inscreveram-se agora em 2013 para o próximo Enem.

“Mais do que tudo, o acesso ao ensino superior é uma questão aspiracional”, lembrou Priscila. “E o Enem é o caminho para viabilizar essa aspiração”.  Hoje, cerca de 15% dos jovens chegam ao ensino superior. O desejável, conforme consta do Plano Nacional de Educação, é atingir o patamar de 25% da população jovem dentro das universidades, explicou a diretora do “Todos pela Educação”. (Na foto à direita: Priscila Cruz, da ONG Todos pela Educação)

Visto por outro ângulo, o Enem é também fonte de muitos problemas. “A tendência prevalecente hoje no mundo busca estimular a diversificação do Ensino Médio, respeitando as diferentes vocações dos jovens e até mesmo as diferenças regionais”, apontou Priscila. E o Enem não contribui para isso, pelo contrário.

Eugênio Cordaro lembrou que o Enem também não avalia uma série de habilidades que são fundamentais para o bom desempenho dos jovens no mundo contemporâneo. Entre elas, as habilidades de relacionamento interpessoal e de trabalho em grupo, além das competências para as artes.

O diretor do sistema Uno Internacional, o psicólogo Pablo Doberti, falou da crise de todos os sistemas educacionais no mundo. Ele vê nisso uma oportunidade para abandonar as práticas atuais e buscar um novo caminho.  (Na foto à esquerda: Pablo Doberti, do sistema Uno Internacional)

“Não é difícil pensarmos em novas práticas”, explicou Doberti. “O mais difícil é abandonarmos as nossas práticas atuais”. O diretor do Uno apontou a necessidade de se criar as condições necessárias que “nos levem a transformar as estruturas atuais”.

O educador português José Pacheco aprofundou as críticas às práticas pedagógicas atuais, especialmente aos sistemas de avaliação – que, para ele, não avaliam nada. Citou exemplos de projetos que ele lidera no Brasil, envolvendo crianças e jovens em situação de abandono ou risco, que seguem em outra direção.

A intensidade e o brilho do debate mantiveram a plateia atenta e participante. “Quando o tema é interessante e os participantes têm o que oferecer, as escolas, os gestores e os educadores em geral mostram-se claramente dispostos a participar e a interagir”, explica Eugênio Cordaro, um dos idealizadores do encontro. “O Fórum foi importante para aprofundar esse debate. Vamos dar sequência e pensarmos em novos encontros como esse”, disse o consultor. (Na foto à direita: o educador português José Pacheco)

“É uma honra para a Editora Segmento participar da realização de um evento com tão alto nível de debate, como foi esse Fórum”, declara Edimilson Cardial, diretor da Editora Segmento. “Cumprimento a todos os participantes e à Corus Consultores pelo interesse em incentivar a reflexão e a preocupação em discutir uma Educação melhor para todos”.  (Na foto à esquerda: Edimilson Cardial, da Editora Segmento)

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