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Atividades extras: universo a explorar

O conceito básico de uma escola particular é o de uma empresa que fornece serviços de ensino regular a crianças de 2 a 17 anos de idade e cobra, em contrapartida, uma anuidade escolar.


Este conceito está, de fato, bem próximo à realidade. Há algum tempo, e de maneira cada vez mais intensa, porém, o modelo de negócios tem se afastado desta definição básica, tornando-se um tanto mais complexo.

Ampliar o leque de serviços oferecidos à clientela mostrou-se bom para as escolas sob várias óticas complementares. A primeira delas diz respeito ao atendimento de uma demanda crescente por parte dessa clientela, que gostaria de concentrar, em um único ponto que seja de sua confiança, uma série de serviços que tem interesse em consumir. A segunda se refere ao efetivo aprimoramento da qualidade da relação de aprendizado do aluno, que passa a ter a possibilidade de se dedicar a tarefas saudáveis física e culturalmente, ao invés de ficar em casa – provavelmente na Internet. Por fim, convém destacar a excelente possibilidade de ganhos financeiros para as escolas, a partir da maior exploração desses negócios periféricos. Esses ganhos podem ser revertidos para a melhoria do projeto pedagógico e para da infraestrutura da escola.

O oferecimento de atividades extras vai, sem dúvida, ao encontro dos anseios de boa parte da clientela. Não só porque permite a ocupação do tempo da criança com atividades recomendáveis e coadunadas com a filosofia da escola, mas também porque permite o aprimoramento de competências e habilidades difíceis de desenvolver somente com o ensino regular. Os alunos que se dedicam às atividades extras oferecidas pelas escolas podem ter um contato mais intenso com os esportes, com tipos diversificados de atividades culturais (tais como música, artes e língua estrangeira) e também podem acelerar seu aproveitamento do conceito da interdisciplinaridade, cada vez mais necessário na educação moderna.

Para os pais, a concentração das atividades extras em um só ponto é uma grande comodidade, pois elimina o considerável desconforto da preocupação com deslocamento, trânsito e segurança.

Além dos visíveis benefícios para a imagem institucional das escolas, a diversificação das atividades extras tende a ser, também, um bom negócio do ponto de vista econômico-financeiro.

A exploração comercial dessas atividades periféricas já foi vista, há bastante tempo, por boa parte das escolas, como um passo em falso, como se fosse uma contradição com os princípios educativos apregoados para com as famílias. Esse cenário mudou radicalmente com o aumento da concorrência no mercado e com as mudanças de necessidades e preferências por parte dos pais de alunos. Muitas das escolas que outrora resistiam a explorar comercialmente atividades periféricas já o fazem com certa desenvoltura.

A receita periférica mais comum em escolas particulares é a taxa de material. É oferecida ao pai a comodidade de adquirir, através da própria escola, toda a lista de material individual que o aluno deverá utilizar ao longo do ano letivo. A opção da família é comprar fora – opção que, se exercida, pode até resultar em alguma economia financeira, a qual, porém, em geral não compensa o trabalho e as horas investidas na operação. Pesquisas mostram que cerca de 80% das escolas cobram taxa de material de seus alunos, ainda que somente em alguns cursos. O número é bastante expressivo, mas a contrapartida dele é que cerca de 20% não cobram a taxa – o que não é um número baixo. Essas escolas deixam de oferecer a comodidade a seus clientes – sempre lembrando que esta comodidade é opcional, sendo uma prerrogativa dos pais aceitá-la ou não. Do ponto de vista financeiro, costuma ser uma grande vantagem para a escola cobrar a taxa. Afinal, as diferenças de valor entre os materiais no atacado – onde a escola faz suas compras – e no varejo – onde os pais costumam fazer suas cotações – são bastante significativas. A questão é quem vai se apropriar desta diferença – a papelaria ou a escola. A escola acaba, na prática, ficando com a maior parte dela, na medida em que cerca de 90% dos pais, em média, costumam optar pela comodidade e pagam a taxa de material.

Por que, então, não dar a opção aos pais? As escolas que exploram adequadamente esta atividade costumam ter um ganho que se mostra bem representativo em seus orçamentos.
A taxa de material é somente um item – ainda que o mais comum – dentre os que compõem o leque de atividades que as escolas podem explorar comercialmente junto à sua clientela. Segue, abaixo, uma lista de outras atividades que atendem ao anseio das famílias e que geram, para muitas escolas que as exploram, resultados positivos consideráveis para o orçamento:

Fornecimento de alimentação (lanche e/ou almoço), festas e eventos, cursos de Inglês (próprios
ou terceirizados), natação (em parceria com escolas especializadas), cursos extras (tais como teatro, música, dança, judô, futebol etc.), período integral, horas-extras esporádicas, passeios e estudos do meio, cursos de férias, aluguel de espaços à noite (como quadras), recuperação/DP, uniformes (em parceria com empresas especializadas) e academia de esportes.

Esta lista não tem o objetivo de ser exaustiva. Isso quer dizer que ela não se esgota naquilo que está contido neste texto. Cada escola, de acordo com as especificidades de sua relação com seus clientes, seu espaço físico, seu projeto pedagógico, pode encontrar maneiras adicionais de oferecer atividades que se encaixem bem com sua oportunidade de oferta e com a demanda dos pais. A melhor maneira de detectar quais atividades se adaptam à realidade de cada escola é, sem dúvida, a realização de pesquisas de interesse com os pais de alunos. Somente isso pode garantir que a aceitação do novo produto.

Muitas dessas atividades não se enquadram, propriamente, no know-how de uma escola particular. Os passeios e os uniformes são dois bons exemplos disso. Educadores não costumam ser bons planejadores e executores de toda a logística que envolve um passeio bem feito. Também não costumam se dar bem com as rotinas de controle de estoque e de custo de matéria-prima da atividade de produção e venda de uniformes. Por este motivo, as atividades destacadas não necessariamente devem ser exploradas diretamente pela própria escola. Podem ser terceirizadas, ficando sob a supervisão direta de qualidade e de preço por parte da instituição de ensino. Ainda assim, elas têm alto potencial de ser lucrativas para a escola, dependendo dos acordos comerciais firmados entre as partes.

Independentemente da modalidade de oferecimento destas atividades, o fato é que elas têm um potencial altíssimo de colaboração com o orçamento. O controle gerencial do movimento financeiro das atividades extras costuma ser feito pela Corus tendo como parâmetro principal o resultado direto destas atividades. Assim, se um evento – por exemplo, a Festa Junina – gera R$ 15.000 de receita e R$ 9.000 de despesa direta, consideramos que a receita da Festa, para a escola, foi de R$ 6.000. Afinal, da ótica da decisão entre o “fazer” e o “não fazer”, o número que importa são os R$ 6.000, e não os R$ 15.000.

Seguindo este raciocínio, a dimensão que importa para uma escola verificar o grau de importância das atividades extras em seu orçamento é o resultado direto que elas geram, e não a sua receita.

O leque de variação entre as escolas, no que se refere à importância das atividades extras no orçamento, é incrivelmente aberto. Existem escolas que praticamente não tëm arrecadação com atividades extras, restringindo-se tão-somente à receita de anuidades. Por outro lado, existem escolas que exploram intensivamente esse recurso. Nos casos extremos, o resultado anual das atividades extras passa de 15% da receita com anuidades. Não é incomum encontrar casos que passam de 10%.

Em um setor que trabalha com margens médias em torno de 5% da receita, pode-se depreender o potencial que essas atividades trazem para a melhoria de resultado das escolas. Nesses casos acima mencionados, o resultado das atividades extras chega a responder por mais da metade do resultado global da escola ao longo do ano. Esse dado pode ser surpreendente, mas é, antes de tudo, bastante interessante para reflexão dos gestores das escolas particulares.